sexta-feira, 24 de setembro de 2021

As novas conquistas irreversíveis de Abril e o seu irreversível comissário

Tal como aconteceu com as do PCP, também estas conquistas irreversíveis garantirão ao PS uma influência e um poder imunes aos resultados eleitorais. A nomeação de Pedro Adão e Silva não foi um engano, não duvido que a polémica era esperada quer por ele quer pelo PM, o seu vencimento não resultou de uma distração e obviamente a sua equipa não está sobredimensionada para aquilo que dela se espera: Pedro Adão e Silva vai dirigir um ministério da Propaganda, que procurará fazer dos objectivos do PS as novas conquistas irreversíveis. O que o PS espera de Pedro Adão e Silva é que ele transforme o discurso do PS no discurso do país e que transforme em irreversível o que tem de ser debatido.
É à luz desta ocupação do Estado pelo PS, do sentimento de impunidade que cresce dia a dia entre os seus dirigentes, da ausência de oposição e do apoio militante dos comunicadores do regime, que o PS se prepara para a fase seguinte, aquela em que vai lançar a regionalização. Ou mais precisamente apresentá-la como o objectivo de Abril que falta cumprir. (in Observador porhelenafmatos )
O Pedro Adão e Silva acha que não há qualquer incompatibilidade entre ser nomeado pelo
Governo socialista para um cargo político e continuar a comentar na televisão pública as decisões e as políticas do Governo que o nomeou. Como é que uma pessoa que vai organizar as celebrações dos 50 anos de democracia em Portugal não entende o óbvio conflito de interesses? Se entende, tal como Medina, coloca o seu poder e os seus interesses à frente dos princípios fundamentais de uma sociedade democrática e pluralista. Ambos mostram que o PS é neste momento a maior ameaça à democracia em Portugal. Fazem os dois parte de um projecto de poder absoluto e hegemónico. No fundo, não passam de apparatchiks partidários.(in João Marques de Almeida no Observador)

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