sexta-feira, 11 de julho de 2008

Estado da Nação: CONTAS FURADAS


Há um ano, José Sócrates não imaginaria o cenário: choque petrolífero a doer; crise financeira em pleno. A maioria PS chega à recta final da legislatura no pior dos cenários económicos. As bolsas apertam e a contenção orçamental sabe a pouco. Hoje, o Parlamento vai discutir de quem é a culpa
O plano era simples - e nada original, por sinal. Funcionaria assim: nos dois primeiros anos José Sócrates forçaria o País a apertar o cinto, em nome da contenção das contas públicas; nos dois últimos anos desapertaria o cinto, nomeadamente baixando os impostos.
A parte da consolidação orçamental correu genericamente bem (até Manuela Ferreira Leite já reconheceu o "mérito" do Governo na redução do défice). Em Março, José Sócrates deu um pequeno sinal do desafogo que poderia aí vir, baixando a taxa máxima do IVA em um por cento (de 21 para 20 por cento). Entusiasmado, em Outubro de 2006 o ministro da Economia, Manuel Pinho, já tinha avançado: "A crise acabou."
Viu-se. Em 20 de Maio, na RTP1, no seu comentário político semanal, António Vitorino, figura de topo no "baronato" socialista - só não foi líder porque não quis - constatou uma evidência: "As contas saíram furadas ao Governo." O Executivo planeava "fazer reformas na primeira metade da legislatura", apostar na "consolidação das contas públicas", para depois, na segunda metade, actuar em cenário de "crescimento económico".
O choque petrolífero e o agravamento da crise do subprime baralharam completamente as contas a José Sócrates. Há pouco mais de um mês, a "crise" - palavra que o Governo já começou a assumir, embora a custo - atingiu um pico de dramatismo: pequenos e médios camionistas organizaram um bloqueio nacional que deixou à míngua muitas bombas de gasolina e esvaziou muitas prateleiras de supermercados.