domingo, 14 de junho de 2020

Ainda não vimos nada!


É triste confessar, mas ainda estamos para ver até onde vão os revisores da História. Uma coisa é certa: com a ajuda dos movimentos anti-racistas, a colaboração de esquerdistas, a covardia de tanta gente de bem e o metabolismo habitual dos reaccionários, o movimento de correcção da História veio para ficar. [.]
Serão criadas comissões de correcção, com a missão de rever os manuais de História (…), a fim de expurgar a visão bondosa do colonialismo, as interpretações glorificadoras dos descobrimentos e os símbolos de domínio branco, cristão, europeu e capitalista. [.]
Comissões purificadoras procederão ao inventário das ruas e locais que devem mudar de nome, porque glorificam o papel dos colonialistas e dos traficantes de escravos. [.]
Teremos autoridades que tudo farão para retirar os objectos antes que as hordas cheguem e será o máximo de coragem de que serão capazes. Alguns concordarão com o seu depósito em pavilhões de sucata. [.]
Preparemo-nos pois para remover monumentos com Albuquerque, Gama, Dias, Cão, Cabral, Magalhães e outros, além de, evidentemente, o Infante D. Henrique, o primeiro a passar no cadafalso. Luís de Camões e Fernando Pessoa terão o devido óbito. [.]
Não serão esquecidos os cineastas, compositores, pintores, escultores, escritores e arquitectos que, nas suas obras, elogiaram os colonialistas, cúmplices da escravatura, do genocídio e do racismo. Filmes e livros serão retirados do mercado. Pinturas murais, azulejos, esculturas, baixos-relevos, frescos e painéis de todas as espécies serão destruídos ou cobertos de cal e ácido. [.]
Os principais monumentos erectos em homenagem à expansão, a começar pelos Jerónimos e pela a Torre de Belém, serão restaurados com o cuidado de lhes retirar os elementos de identidade colonialista. Os memoriais de homenagem aos mortos em guerras do Ultramar serão reconstruídos a fim de serem transformados em edifícios de denúncia do racismo. Não há liberdade nem igualdade enquanto estes símbolos sobreviverem. [.]
(por António Barreto in “Ainda não vimos nada”! )

petição: Abolição do Partido Chega por ideologia fascista

Para: Ex.mo Presidente da República e Primeiro Ministro 
Como consta na Constituição Portuguesa de 1976, o Fascismo é criminoso em Portugal. No entanto, no presente momento, senta -se na Assembleia da República um seguidor e disseminador dessa mesma ideologia, fomentando-a com técnicas baratas de populismo.
Como é possível, tendo em conta a lei patente na Constituição vigente, o Partido Chega e o seu deputado André Ventura permanecerem na Assembleia da República?
É preciso mudar, é preciso reconhecer os crimes e os nefastos acontecimentos do passado para que não se repitam no futuro próximo ou longínquo.
O neofascismo, que se tem afirmado nos últimos anos em muitas partes do mundo, é, também, um problema em Portugal. Um problema que é necessário parar antes que se deixe desenvolver.

petição: Pelo fim do Bloco de Esquerda


Para: Exmo Sr Presidente da Assembleia da República 
Pelo fim do bloco esquerda por ser de extrema esquerda, anarquista, contra a ordem e a lei, por promover a violência, discriminar os policias e a nação, por ser um partido xenófobo, anti democrático e defender criminosos. 
"O direito à segurança implica que os cidadãos devem poder viver de forma segura e tranquila, livres de ameaças ou agressões por parte dos poderes públicos e dos outros cidadãos. 
Quando a coordenadora nacional do bloco de esquerda, deputada na Assembleia da República, e seu staff, vão para a rua durante uma manifestação com cartazes a incentivar claramente a actos de violência contra essas mesmas forças de segurança e contra o cidadão comum. 
Não podemos aceitar que elementos que foram candidatos pelo bloco cometam actos de vandalismo contra a propriedade privada e contra a propriedade pública. 
Não podemos desprezar a nossa história nem a nossa identidade enquanto nação, não temos que pedir desculpa por sermos Portugueses, são vocês que se aproveitam das minorias e dos mais fracos para obterem divididos políticos e ganharem protagonismo. Nós dizemos não existem cores ou raças, só seres humanos, e por isso "todas as vidas contam", mas todas mesmo!

sábado, 13 de junho de 2020

Terrorismo !

Tal como uma árvore sem raízes morre, um povo sem raízes históricas ou culturais torna-se num povo moribundo." Malcom X
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terça-feira, 9 de junho de 2020

estátua de Cristóvão Colombo

Estátuas de Cristóvão Colombo foram alvo de manifestantes em Massachusetts e Virgínia na noite de terça-feira, num "acto de solidariedade com os povos indígenas". O memorial em Richmond, Virgínia, foi puxado por cordas e arrastado cerca de 200 metros. A base da estátua foi coberta de grafites...


pré aviso para o novo Verão Quente !

acções futuras !
Com uma onda de acções directas no final de Julho, começaremos a criar a nossa História e vamos tirar a democracia das garras dos bancos e das petrolíferas, para pô-la ao serviço das pessoas. Depois, em Setembro, voltaremos com uma nova vaga de desobediência civil em massa porque só nós, os 99%, podemos resgatar o clima e as pessoas.
Para saber mais e para fazer parte da luta, junta-te a nós na 
Reunião Introdutória no dia   de Junho, segunda-feira, às   , na Praça José Fontana.

manif do bloco da extrema esquerda

Durante anos e anos, as universidades encheram-se de observatórios, gabinetes e institutos onde os líderes de extrema-esquerda se cobriram de títulos académicos e aumentaram a sua influência.
Pior, onde antes havia conhecimento eles colocaram a ideologia.
Temas de investigação, atribuição de bolsas, conferências… tudo passou a estar subordinado à sua visão do mundo.
Atribuem-se bolsas em função do sexo ou da cor da pele.
Discute-se se a matemática tem género e proíbem-se conferências de autores não alinhados. As universidades transformaram-se em  berçários de intolerantes. E de ignorância.

domingo, 7 de junho de 2020

Os portugueses são racistas?

Nunca corremos a tiro as populações indígenas, como fizeram os colonos europeus quando ocuparam as terras do Tio Sam. Nunca tivemos apartheid, ao contrário do que aconteceu na África do Sul ou na Rodésia. Cruzámo-nos em África e na Ásia com as populações autóctones, tivemos filhos e muitas vezes assumimo-los.
A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, veio dizer na semana passada, num discurso geralmente bem estruturado, que há racismo em Portugal.
«Durante décadas, apregoar a inexistência de fenómenos racistas na sociedade portuguesa tornou-se um quase lugar-comum. A repetição incessante da ideia não teve, contudo, a virtualidade de a converter em verdadeira. A maior expressão de preconceito racial consiste, precisamente, na negação deste preconceito» - disse a ministra.
Terá razão?
Confesso que, até há bem pouco tempo, não dava pela existência de racismo em Portugal.
Vivi a juventude no tempo do Estado Novo, e nunca senti que esse fosse um problema.
Sempre joguei à bola com negros, aplaudi os feitos de jogadores africanos.
O próprio facto de um dos grandes ídolos nacionais ser Eusébio era um travão contra o racismo: não fazia sentido idolatrarmos a sua figura e aplaudirmos os seus feitos… e depois dizermos mal dos ‘pretos’.
E a história da colonização portuguesa aponta no mesmo sentido. 
Há quem diga que ela foi igual a outras.
Não foi. 
Nunca corremos a tiro as populações indígenas, como fizeram os colonos europeus quando ocuparam as terras do Tio Sam.
Nunca tivemos apartheid, ao contrário do que aconteceu na África do Sul ou na Rodésia.
Cruzámo-nos em África e na Ásia com as populações autóctones, tivemos filhos e muitas vezes assumimo-los.
E no tempo de Salazar houve uma política de integração progressiva dos negros nas colónias africanas (aliás muito criticada), criando-se o estatuto dos ‘assimilados’ - nativos que já partilhavam a cultura europeia.
Houve actos racistas?Claro que houve - e muitos.
Mas isso decorria da evidência de uns serem colonizadores (e supostos portadores de um estádio de civilização ‘superior’) e os outros serem colonizados.
A regra, porém, era a convivência mais ou menos pacífica.
Basta ir hoje a Angola ou Moçambique para o constatarmos: os negros gostam dos portugueses, enquanto detestam os russos e os cubanos - apesar de estes lá terem estado muito menos tempo.
Mas então por que é que, de repente, se passou a falar tanto de racismo em Portugal?
A responsabilidade foi, sobretudo, do Bloco de Esquerda - que tem a capacidade de ir colocando sucessivos temas na ‘agenda’.
Esgotada uma ‘causa’, vem logo outra a seguir.
Depois de lançadas as ‘causas’ da legalização do aborto, da despenalização das drogas leves, das salas de chuto, dos direitos dos homossexuais, da mudança de sexo aos 16 anos, da igualdade de género, da contestação dos Descobrimentos, etc., que têm ocupado a agenda mediática nos últimos anos, há que inventar outras.
O racismo está nessa linha.
Foram os dirigentes do BE que começaram insistentemente a falar da existência de racismo em Portugal.
E a afirmação contagiou outros partidos de esquerda, como o PS.
Ora, de tanto se falar dos assuntos, eles transformam-se em realidades.
Há quem pense, como a ministra, que os problemas se resolvem por se falar muito deles.
Discordo completamente: o discurso anti-racista, repetido a propósito e a despropósito, acabou por acordar demónios adormecidos.
O racismo, que há muito tempo estava em estado de hibernação em Portugal, veio à superfície.
A discussão instalou-se, os ânimos exaltaram-se, as posições extremaram-se - e aquilo que não constituía um problema tornou-se de repetente uma questão gravíssima.
Veja-se o que aconteceu com o artigo de Fátima Bonifácio.
Se não fosse o alarido feito à sua volta, passaria sem grandes ondas.
Mas a atitude da direcção do Público, fazendo mea culpa por publicar o texto, chamou brutalmente a atenção para ele.
Atrevo-me a dizer que a insólita reacção da direcção do jornal fez mais pelo racismo em Portugal do que 100 artigos como aquele ou piores. 
Aliás, a ministra da Justiça, ela própria, é o exemplo vivo da inexistência de racismo em Portugal.
E o primeiro-ministro é outro.
Há uns bons anos, uma pessoa das minhas relações - essa sim racista - disse-me que António Costa nunca chegaria a líder do PS por ser «monhé». E acrescentou: «Os portugueses não gostam de monhés».
Ora, António Costa não só chegou a líder do PS como chegou a primeiro-ministro, cumpriu uma legislatura e será com certeza reeleito.
Num país racista, isto não seria possível.
Dir-se-á que aqui e ali há referências à  cor da sua pele.
Mas são raras - e têm muito mais que ver com o facto de ser de esquerda do que com a sua ascendência goesa.
Os ataques que Costa sofre, mesmo aqueles que têm aparentemente um cunho racista, são mais devidos a questões políticas do que a questões raciais.
Nesta medida, remexendo uma vez mais na ferida do ‘racismo’, Francisca Van Dunem prestou um mau serviço à causa anti-racista.
Repito: na minha juventude, ninguém via o racismo como um problema; hoje enche páginas de jornais.
De quem é a culpa? 
Dos que querem à força provar que o racismo existe - e fazem um alarido quando alguém tem uma opinião diferente da deles.
Dos que propagam aos quatro ventos as suas teorias - mas que calam os outros quando estes se querem manifestar.
Depois das campanhas anti-racistas que o BE lançou, a sociedade portuguesa é hoje muito mais racista do que era antes.
Os conflitos raciais tendem a multiplicar-se. 
Mas não era isso mesmo que o BE queria?
Acho que sim.
O BE quer ter ‘causas’ para fundamentar as suas lutas, desestabilizar a sociedade e criar um permanente ambiente de guerra.
É esse o seu objetivo. (in “Os portugueses são racistas? “ por José António Saraiva)

Tratado de Tordesilhas


O Tratado de Tordesilhas, assinado na vila de Tordesilhas no dia 7 de Junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e a coroa dual dos reinos de Castela e de Aragão. Em Portugal, reinava D. João II, em Castela e Aragão, Isabel e Fernando, os reis Católicos. Seria ratificado por Castela e Aragão em 2 de Julho e por Portugal a 5 de Setembro do mesmo ano de 1494. Os originais do ambas as cópias do Tratado, do qual podemos ver ao lado a página de rosto, estão conservados no Archivo General de Indias em Sevilha e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa. Deste acordo assinado sob os auspícios do Papa, se diz «ter dividido o mundo em duas partes».
O objectivo prático do acordo foi o de dividir as terras já descobertas e as que se viessem a descobrir sem criar contenciosos entre as duas potências, tanto mais que os Descobrimentos decorriam sem que se verificassem confrontos importantes. No entanto, os frutos que os Portugueses colhiam do achamento de novas terras, começavam a traduzir-se em ganhos económicos. O avanço para sul na costa africana ia verificando-se muito lucrativo – óleo de lobos-marinhos, ouro, tráfico de escravos, por exemplo, abriam novos mercados às exportações lusitanas. Castela estava atenta a essa progressão e, furtivamente, os seus navios visitavam a costa da Guiné. Portugal reclamou à cúria romana uma intervenção que evitasse intrusões que podiam, no curto prazo, acarretar confrontos. 
A bula de Nicolau V reconheceu a Portugal o monopólio do comércio na costa ocidental africana para sul dos cabos Não e Bojador. Os reis Católicos fizeram letra morta da decisão e as incursões abusivas prosseguiram.
Alexandre VI, o famoso Bórgia, lançou duas bulas que estabeleciam a divisão do Atlântico em duas zonas de influência delimitadas por um meridiano traçado 100 léguas para poente dos Açores. Foi a vez de D. João II discordar. E, após discussões que envolveram diplomatas e cientistas de ambos os lados, se chegou ao Tratado de Tordesilhas. Portugal via alargado o seu espaço de manobra no Atlântico, pois a nova delimitação era feita por um meridiano localizado 370 léguas a poente das ilhas de Cabo Verde. Sem provas documentais, há historiadores que defendem que D. João II sabia já da existência do Brasil. É a tese da “política do sigilo” defendida por historiadores como Jaime Cortesão 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

detecção de fogos!

permite ler e transmitir à distância, informação que aumenta a eficácia de decisão em situações de catástrofe.

domingo, 24 de maio de 2020

Não há dinheiro que pague a raiz deste pensamento...

Enquanto escrevo aconteceu mais uma rixa na praia de Carcavelos. Pese as rixas na praia de Carcavelos terem-se tornado um item obrigatório de cada Verão o detalhe noticioso sobre o caso nunca vai além das expressões “grupos rivais” (qual será a rivalidade?) e a “arma branca” (será a faca de fazer sandes?) usada nas rixas entre os ditos grupos rivais.

Enquanto escrevo a Bélgica está a chegar aos 800 mortos por coronavírus por milhão de habitantes. Onde estão as notícias?

Enquanto escrevo em várias cidades de Espanha, a começar por Madrid, registaram-se manifestações-marcha automóvel de contestação à política do governo. Onde estão as notícias?
Foi preciso o apoio do governo aos media para que isto fosse assim? Não. Há muito tempo  que a linguagem dos jornais, rádios e televisões é a versão mediática do socialismo, ou melhor do progressismo. ( in “ Não há dinheiro que pague a raiz deste pensamentohelenafmatos )

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quinta Feira da Espiga


A Festa da Ascensão, ou Quinta Feira da Ascenção, é uma festa marcadamente Católica e em simultâneo com ela celebra-se o Dia da Espiga, ou Quinta Feira da Espiga.

Principais plantas do Ramo da Espiga,
contudo tradicionalmente qualquer outra planta que surja durante a “caminhada do Dia da Espiga” pode ser adicionada para o embelezar.
As Espigas
As espigas devem ser sempre em número ímpar, e são a parte mais importante do ramo. Podem ser de trigo, centeio, aveia, ou qualquer outro cereal.
Representam o pão, como a base do sustento da família, e a fecundidade.
A Papoila
Com a sua cor vibrante e quente a Papoila significa neste ramo o amor, e a vida.
Sendo a parte mais garrida do ramo acaba por ser também aquele que mais se decai com o ano a passar, ao escurecer e secar.
O Malmequer
Simboliza no ramo a riqueza, e os bens terrenos. Isto pelo seu branco simbolizar a Prata, e ao mesmo tempo o amarelo simbolizar o Ouro.
A Oliveira
A Oliveira acaba por ter um duplo significado no Ramo da Espiga. Em parte significa a Paz, a o desejo pela mesma. Sendo que é um dos símbolos da Paz desde a antiguidade.
Ao mesmo tempo é o símbolo da Luz, visto do seu óleo, azeite, se encherem as lâmpadas que alumiavam as casas. Sendo que esta Luz pode ser interpretada como o sentido divido da mesma, significando a sabedoria divina.
O Alecrim
Tal como a Oliveira é uma presença constante pelo mediterrâneo. Com o seu cheiro forte e duradouro, e sendo uma planta que resiste a quase tudo, simboliza no ramo a força e a resistência.
Ao contrário da Papoila avançando no ano o seu cheiro vai-se aguentando, e a sua presença torna-se cada vez mais notada no ramo.
A Videira
A representação do vinho, tão importante para a nossa cultura e tradição, no Ramo da Espiga vem naturalmente da Videira.
Naturalmente também a associação à alegria também tão ligada ao Vinho na nossa cultura passa também por esta planta.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Reforma Agrária: 40 anos


"Entre 1975 e 1976, o essencial do Alentejo agrário produtivo mudou de mãos. Mais de um milhão de hectares e explorações agrícolas foram ocupados pelos trabalhadores organizados em sindicatos e unidades colectivas de produção. Tudo se passou sob a orientação do Partido Comunista Português, com o apoio das unidades militares da região, do governo, dos funcionários do Ministério da Agricultura e de outros grupos políticos de menor importância. Foi um processo revolucionário rápido que usou de intimidação e terror, mas não, graças à presença das forças armadas, de violência física", escreve António Barreto na introdução.
A Anatomia de Uma Revolução conta-nos como o Partido Comunista se apoderou do Alentejo. A revolução alentejana é um fruto da revolução de Abril, e o território alentejano abeirou-se do estatuto de um estado dentro do Estado. Esta é uma das teses do livro.
Outra é de que a massa do proletariado alentejano, chamada sazonalmente a semear ou ceifar nos latifúndios e nas herdades, nunca tinha estado interessada na posse ou propriedade da terra; a suma e única prioridade desses assalariados miseráveis consistia na segurança do emprego e portanto do salário.
O slogan sempre repetido – «a terra a quem a trabalha» – não fazia para eles grande sentido. A solução encontrada pelos sindicatos comunistas foi a aplicação do modelo colectivista das Unidades Colectivas de Produção (UCP), uma réplica fiel do kolkhoz soviético. Graças ao crédito abundantemente concedido pelo Estado, as UCP garantiam as duas coisas – emprego permanente e salário todo o ano. Este é apenas um dos aspectos sob os quais a cooperação do Estado foi vital; sem ela, a revolução alentejana não teria sido possível. (…)
Durante os governos de Vasco Gonçalves, não só as ocupações foram legalizadas, como foram legisladas as expropriações e as nacionalizações. Afirma Barreto: "Tudo foi feito na prática, e quase tudo na lei, com vista a uma expropriação geral da terra, ou da sua maior parte."
Os responsáveis máximos não se coibiram de incentivar a apropriação de terras privadas. "Os principais actos revolucionários nascem no governo, nas assembleias militares e nos quartéis." Algumas leis de 1975 sobre a reforma agrária assemelham-se a "panfletos políticos" em que a população e os trabalhadores alentejanos são exortados a dar livre curso às suas iniciativas.

Não menos importante, os revolucionários estavam seguros do apoio político do MFA bem como da protecção militar, no terreno, das operações de ocupação. Por vezes verificou-se até muito mais do que protecção: o quartel de Vendas Novas, cujos soldados ostentavam nas boinas a efígie de Che Guevara, chegou a lançar no terreno "brigadas de ocupação" ou "brigadas da reforma agrária".
Outra das teses do livro é a de que, ao contrário do mito que se espalhou, não foram ocupados latifúndios incultos ou terras abandonadas à natureza selvagem. Estas não tiveram procura; dariam muito trabalho a arrotear e a cultivar.
O ministro da Agricultura de Vasco Gonçalves, Oliveira Baptista (26.3.75 a 19.9.75), distribuiu conselhos e indicou critérios: "«Deve-se começar pelas melhores terras»"; deve-se liquidar "«o poder social e económico dos grandes proprietários»"; deve-se ficar com tudo: "«as árvores e meios de produção, todo o equipamento que lá estiver»"; deve-se "«acabar com o latifúndio e com o pequeno agricultor. Não podemos admitir que a reforma agrária faça novos pequenos patrões»".
Temos de voltar ao silêncio que se fez sobre o livro de António Barreto aquando da sua publicação em 1987. Muito possivelmente, o livro desagradou tanto à esquerda como à direita. (…)
A Anatomia de Uma Revolução conta uma história que é de nós todos, dos que estiveram contra e dos que estiveram a favor da deriva revolucionária desencadeada pelo 25 de Abril; dos que participaram e dos que observaram. É tempo de ficarmos a saber mais exactamente como é que tudo se passou no Alentejo de 1974 a 1976.
   

NEWS E FAKE NEWS.

(copy/paste sem conferir a veracidade)
Eu sei que em tempo de COVID não se fala noutra coisa, Mas a vida continua e no mundo gramsciano em que cada vez mais vivemos, vão acontecendo coisas estranhas e desconhecidas para quem não tem tempo ou pachorra para ir além das gordas dos jornais ou dos títulos das notícias.
E contudo, também neste tempo de covid, uma constante se mantém: a de que quem não é de esquerda é uma besta e quem é de esquerda, ou é fantástico, ou não se fala nisso, e se não se fala nisso, então nada aconteceu.
É por isso que toda a gente sabe que o que se passa nos EUA e no Brasil é uma calamidade, o que se passa em Portugal ou na China é um sucesso, mas o que se passa na Rússia, em Espanha, em Taiwan, na Republica Checa, etc, não consta nas notícias espalhadas pelas agências noticiosa do costume, porque poderia levar as pessoas a pensar o contrário do que a hegemonia cultural entende como "bempensar".
Mas há mais alguns casos maravilhosos:

1- Nos EUA, foram desclassificados nomes da Administração Obama, que estiveram envolvidos, já na fase de transição, no acesso e uso ilegal de informação classificada relativa a personalidades da nova administração. Desde o próprio Obama ao chefe da CIA, FBI, etc, toda aquela malta cozinhou uma maneira de tramar o então General Michael Flynn. Folheando os media tradicionais, ou este magno assunto não é sequer referido, ou é tratado em nota de rodapé. Por cá, onde tudo o que Trump faz ou desfaz, ou diz ou não diz, é criticado de fio a pavio, nem um pio sobre este explosivo assunto, perfeitamente equiparado ao Watergate, porque se trata de usar o poder para sabotar adversários políticos. Resumindo, nada é noticiado, logo o Trump é uma bosta.

2- Todos se recordam do que aconteceu há tempos quando um juiz conservador ( Kavanaugh) foi nomeado pela actual administração, para o Supremo Tribunal dos EUA. Surgiram alegações de uma mulher, que se reclamava vitima de violação, em declarações confusas e datadas da adolescência. Tal não impediu o espectáculo que se montou, o desfilar de indignações, as transmissões em directo para todo o mundo, o horror, o terror, o ódio, a condenação contra o Trump. Há dias surgiu uma alegação, muito mais concreta e fundamentada, de uma ex assessora de Biden, o vice de Obama e candidato democrata à Presidência americana. A diferença não podia ser mais chocante. Correndo desde a CNN ao NYT, passando pelos media hegemónicos, correspondentes das televisões nos EUA, jornais e televisões portuguesas, e profissionais da indignação vários, é como se isto fosse um não assunto, coitado do homem, ela é uma aproveitadora, até as valentes defensoras do "Me too" assobiam para o ar, titubeiam, afinal há que averiguar, não se pode condenar o Biden só assim de caras, há que contextualizar. Resumindo, o assunto não é noticiado, logo não existe e o Trump é uma besta.

3. Quotidianamente, as nossas televisões e jornais, ressaltam o facto de o Trump ser uma cavalgadura e dão conta dos "progressos" da oposição ao Trump, desde o presidente da junta que fez isto ou aquilo até á manifestação de não sei quantos marmelos que berram contra o Trump no cruzamento entre uma rua e outra. Ontem, houve eleições parcelares na California e no Wisconsim. Alguém ouviu falar disso? Claro que não e sabem porquê? Porque não foram ganhas pelos darlings da esquerda, mas por gajos ligados ao maldito Trump. Se estes darlings tivessem ganho, não tenho qualquer dúvida que teríamos uma pormenorizada dissecação das vitórias que anunciam o fim desta administração, e ecos internacionais cheios de entusiasmo, incluindo peças inflamadas dos correspondentes da SIC e da RTP. Mas como não foi isso que aconteceu, não há notícias, logo nada aconteceu e o Trump é uma merda.

O que eu pretendo com isto?
Apenas ilustrar que a receita do comunista italiano Gramsci, de alcançar a hegemonia cultural pelo controlo do que se pensa , se diz e se divulga, resultou em pleno e estamos a caminho da sociedade de 1984, onde só existe o "bempensar" ou seja, o pensar em conformidade com o que os pastores acham bem. Ao rebanho apenas se pede que expresse os seus balidos de acordo com o pensamento único e correcto. Não esquecendo que o que não pode ser dito não pode ser pensado e o que não pode ser pensado não existe. (por José Carmo no FeiçeBuque)